Estudos apontam que casos de doença de Parkinson podem atingir mais de 25 milhões de pessoas até 2050. É possível frear esse aumento?

No Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, lembrado em 11 de abril, o alerta é para um dos maiores desafios de saúde pública global. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 4 milhões de pessoas convivem com a condição atualmente. No Brasil, embora estimativas do Ministério da Saúde apontem para 200 mil casos, levantamentos recentes de 2025 realizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre sugerem um cenário em que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais já podem estar vivendo com a patologia.

Um estudo publicado na revista científica British Medical Journal (BMJ) projeta que o número de diagnósticos no mundo pode saltar para 25,2 milhões até 2050, um crescimento de 112% em relação a 2021. Esse aumento é impulsionado principalmente pelo envelhecimento populacional, com impacto severo na faixa etária acima dos 80 anos e prevalência crescente entre os homens.

Além de ser a segunda doença neurodegenerativa mais frequente, o Parkinson deve ultrapassar o câncer como a segunda maior causa de morte no mundo até 2040. No Brasil, se o ritmo atual persistir, o país poderá ultrapassar a marca de 1,2 milhão de pacientes até 2060, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e suporte especializado.

O que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica, progressiva e degenerativa que afeta o sistema nervoso central, causando a morte prematura de neurônios em uma região do cérebro chamada substância negra.

Esses neurônios são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que atua no controle dos movimentos, do equilíbrio e até do humor. Sem dopamina suficiente, a comunicação entre o cérebro e os músculos falha, gerando os sintomas motores característicos.

Sintomas de Parkinson que vão além do tremor

Embora o tremor seja o sinal mais característico e conhecido, o Parkinson é uma doença multissistêmica, ou seja, é capaz de causar diferentes sintomas no corpo todo.

1. Sintomas motores

  • Lentidão nos movimentos e diminuição da amplitude (passos curtos).
  • Rigidez muscular.
  • Dificuldade de equilíbrio e risco de quedas.
  • Tremor de repouso que geralmente começa em uma das mãos.

2. Sintomas não motores

Estudos científicos recentes reforçam que os sintomas não motores podem aparecer anos antes dos tremores:

  • Perda do olfato;
  • Distúrbios do sono e da fala; 
  • Depressão, ansiedade e fadiga;
  • Problemas urinários.

A ciência ainda não aponta uma causa única para o desenvolvimento da condição, mas, sim, uma combinação de fatores: genéticos, responsáveis por apenas 10% a 15% dos casos; biológicos, como o envelhecimento (o principal fator de risco); e ambientais, como a exposição prolongada a pesticidas, solventes e metais pesados. 

O diagnóstico da doença baseia-se na avaliação do neurologista, que investiga o histórico clínico e realiza o exame físico. Exames de imagem, como a ressonância magnética, são fundamentais para descartar outras condições, como tumores ou hidrocefalia, e oferecer suporte ao médico. 

Tratamentos e avanços científicos para a doença de Parkinson

Embora ainda não exista cura, o tratamento evoluiu muito nos últimos anos para garantir qualidade de vida aos pacientes. A terapêutica mais comum é a medicamentosa, que se baseia na reposição da dopamina para estabilizar a progressão dos sintomas e devolver a autonomia.

Contudo, há alternativas diferentes, como o tratamento bilateral por ultrassom, que reduz os tremores sem a necessidade de cirurgia aberta, aprovado em julho do ano passado pela agência federal do Departamento de Saúde dos EUA (equivalente à Anvisa no Brasil). 

Entretanto, para garantir que o paciente mantenha a autonomia em atividades cotidianas – como vestir-se, alimentar-se ou caminhar –, é essencial o suporte de uma equipe multiprofissional, composta por fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros especialistas. 

Outra forma de preservar a saúde neurológica dos portadores de Parkinson e até prevenir a doença é manter a mente ativa e o corpo forte. A neuroplasticidade é estimulada pela atividade intelectual, por isso ler, aprender novas habilidades e estimular a função cerebral são práticas recomendadas, assim como a atividade física regular. Esta, além de combater a rigidez característica da doença, ajuda a manter a amplitude dos movimentos e a força muscular. Exercícios físicos também são aliados na prevenção, uma vez que estimulam a função neuronal, protegem o corpo da inflamação neurológica e melhoram a utilização de dopamina disponível.